Visita de estudo a Lisboa e Nazaré

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Nos dois últimos dias de aulas do 2º período as turmas 1 e 2 do 11º ano, do CCH-Ciências e Tecnologias, tiveram a oportunidade de se deslocar para o exterior da Escola e desta forma ter a possibilidade de conhecer, observar e sentir,in loco, alguns dos locais, fenómenos e procedimentos tantas vezes referidos e descritos nas aulas de Português, de Física e Química A e de Biologia e Geologia.

A Visita de Estudo teve início no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, antiga Escola Politécnica de Lisboa, ondeos alunos acompanhados por uma guia puderam observar o anfiteatro e as condições em que decorriam as aulas teóricas da disciplina de química a partir do ano de 1837, bem como, anexo à sala teórica, o laboratório químico onde decorriam as aulas práticas. Aqui observaram o magnífico espólio que equipava o laboratório, desde o mobiliário às máquinas do século XIX que faziam com que este fosse um dos mais avançados e melhor equipados para a época, tendo tido oportunidade de assistir à explicação de como se produzia gelo sem recurso a eletricidade. Também aqui, os alunos tiveram a noção das enormes diferenças que separam os métodos de ensino-aprendizagem atual do da época, em particular a interação professor-aluno que durante o séc. XIX e início do séc. XX era nula.
Noutra secção do Museu foi possível observar o conteúdo fossilífero da jazida de Andrés, uma importante descoberta realizada no ano de 1988, nas proximidades de Pombal, de onde se extraiu um elevado número de fósseis que constituiu um importante registo da diversidade paleobiológica a nível europeu do Período Jurássico Superior (141 a 153 Milhões de anos), nomeadamente a descoberta do primeiro exemplar da espécie de dinossáurios terópodes Allosaurus fragilis fora do continente Norte Americano. No seguimento da visita a guia explicou a evolução filogenética de alguns grupos de dinossáurios até ao aparecimento das primeiras aves.

Por imperativos relacionados com o meio de transporte, fomos obrigados a alterar o percurso, inicialmente, delineado para o roteiro queirosiano d’Os Maias.
Assim, saímos do Museu NHNC e dirigimo-nos para o miradouro de S. Pedro de Alcântara, onde os alunos e professores tiveram o prazer de desfrutar de uma bonita vista da cidade de Lisboa. Descemos em direção à Praça Camões. Vimos algumas igrejas como, por exemplo, a igreja do Loreto e a igreja de Nossa Senhora da Encarnação. Deslocámo-nos depois para o Largo do Chiado, tiramos fotografias junto às estátuas de Fernando Pessoa e a de António Ribeiro. Mesmo ao lado da estátua de Fernando Pessoa, encontrámos outro dos sítios bastante referenciado n’ Os Maias, a casa Havaneza, que, na altura, era o ponto de encontro de todas as classes sociais e que agora é uma tabacaria. Seguimos então pela rua Garrett onde encontrámos algumas livrarias, tais como a Bertrand e a Sá da Costa. Fomos ainda ver o teatro S. Carlos e seguidamente começamos a descer pela rua do Carmo onde encontrámos o Elevador de Santa Justa.
Caminhámos até ao Rossio, e aí parámos, pois o Rossio era o sítio onde Carlos da Maia tinha o seu consultório médico. Ainda no largo do Rossio vimos uma placa acerca de Eça de Queirós, mesmo por cima do café Nicola, pois Eça viveu nesse edifício. Vimos, ainda no Rossio, a estação do Rossio, de estilo Neomanuelino. Andámos pela Praça dos Restauradores e, seguidamente, começámos a descer novamente até ao Cais do Sodré.

O segundo dia, pela manhã, iniciou-se com a visita ao interior do Palácio de Queluz, uma vez que o tempo chuvoso impossibilitou o que seria um agradável passeio pelos jardins do Palácio.
O Palácio Nacional de Queluz e os seus jardins históricos constituem um dos exemplos mais extraordinários da ligação harmoniosa entre paisagem e arquitetura palaciana em Portugal.
Ilustram a evolução do gosto da Corte nos séculos XVIII e XIX, período marcado pelo barroco, o rococó e o neoclassicismo.Mandado construir em 1747 pelo futuro D. Pedro III, consorte de D. Maria I, o Palácio de Queluz foi inicialmente concebido como residência de verão, tornando-se espaço privilegiado de lazer e entretenimento da Família Real, que o habitou em permanência de 1794 até à partida para o Brasil, em 1807, na sequência das invasões francesas. No final da visita ao Palácio fomos surpreendidos pela agradável e simpática presença de dois excelentes atores do panorama nacional – José Wallenstein e Filipe Duarte- que, durante uma pausa para o café da rodagem de um filme francês, gentilmente se disponibilizaram para posar connosco.

Após o almoço (e sobremesa com “Pasteis de Belém”),visitamos o Museu da Eletricidade onde assistimos à explicação da produção de eletricidade a partir do carvão, na Central Termoelétrica do Tejo, que forneceu energia elétrica a Lisboa e mais tarde a outras regiões do país, desde 1909 até 1973, com toda a complexidade e dificuldades que esta atividade envolvia desde a descarga do carvão dos navios que atracavam ali ao lado no rio Tejo, aos homens que espalhavam o carvão que alimentava as fornalhas, àqueles que vigiavam as caldeiras até aos que tinham o trabalho mais ingrato da remoção das cinzas. Para além disso assistiram a demonstrações de experiências que estão na origem da produção de energia elétrica através da indução eletromagnética, de forma não poluente, onde os alunos puderam mostrar os seus conhecimentos das aulas de Física, uma vez que a maioria dos conceitos já tinham sido lecionados.

Foi já na viagem de regresso que se efetuou a última paragem, no promontório da Nazaré onde se realizou um pequeno percurso de interpretação geológica, com uma excelente vista panorâmica sobre a cidade, a arriba fóssil e a baía onde se localiza a cabeceira do Canhão da Nazaré que é um desfiladeiro, instalado sobre a falha Nazaré-Pombal, com mais de 230 Km de extensão até ao fundo do oceânico Atlântico, acerca de 5.000 m de profundidade. É a existência deste desfiladeiro que condiciona a dinâmica litoral local, nomeadamente a menor deposição de areias nas praias localizadas a sul da Nazaré, bem como a invulgar formação de ondas gigantes que colocaram Nazaré na rota de surfistas internacionais.

© Agrupamento de Escolas Sá de Miranda - Braga